domingo, 20 de novembro de 2011

O botecos e as madrugadas são iguais em qualquer poeta.

O botecos e as madrugadas são iguais em qualquer poeta.
Os bares abrem sempre com a emprestada alegria do primeiro cliente. Este homem cheio de “ésses” e carnês que hoje, saiu mais cedo do trabalho e, indócil, ligou para os amigos, surpresos amigos, que resolveram que o melhor mesmo é não contrariar e em alguns minutos enchiam a primeira mesa destemida da noite.
Algum tempo depois aquele desproposito de mulher que brota a certa hora da noite em todos os bares da história, adentra o recinto. Está pronta a partir daí a típica cena. Observo apenas.
Os botecos são mesmo ululantes balaios culturais. Neles além das mulheres despropositadas é claro, há também os tipos. Os tipos como os que desde cedo mamãe dizia; -Olhe, este tipo pensa que é alguma coisa! Ou -Um tipinho quenem esse daí!? Deus me livre! Os tipos existem. Não sei se nascem nos botecos, são produtos dos botecos ou estão por ai e só então são revelados sob a luz de notívago estabelecimento. O que mesmo importa é que deles, respira o bar. Nas suas angustias, incertezas e eternas desilusões amorosas está toda a essência. Alegrias sem fim quem sabe só encontremos doutro lado dum vale verdejante, do balcão. Ai então temos o Dono do bar.
O dono sempre aparece. Algumas vezes você só o encontra por alguns segundos, quando anuncia o fechamento das portas do paraíso:-O bar está fechado! Não deixa de ser um tipo, mas costuma-se nomeá-lo “figura”. As figuras andam com cheirinho de banho tomado, assistem ao show noturno como diria Vinicius com a disposição de um mau fã, expectadores entediados que nem mesmo os Despropositos conseguem desnovelar. As preocupações diurnas das Figuras sugam todo aquele frescor de um possível affer ou um papo profundo sobre os tipos de seios que as mulheres tem, comuns em todos os clientes Típicos.
No bar não há como sentir saudades de casa, em Porto de Primavera ou Porto Velho nos sentimos em Porto Seguro para viver todas as nossas ânsias e devaneios boêmios. Mudam os batentes e janelas, mas a paisagem ali mais além é sempre a mesma, saias de todos os tipos, gravatas de todas as cores e sorrisos. Sorrisos por que não há inflação ou outros leões quaisquer no campo sagrado onde constrói-se o Bar. Ainda tenho que terminar esta composição mas primeiro vou beber um trago de pijama, com a licença da Arte se Tomar um Café,no meu bar favorito, depois volto e continuo..

05-10-2011

escrever um romance

Como escrever um romance

Primeiro é necessário um homo
ou não
de pequeno egoísmo
e grande querer

Que tenha feito a escolha des cer justo
Tenha fé sem entender por quê
Tenha todos os dois olhos
Mesmo não os tendo;
Tenha as partes extremas surradas dos lanhos da lida
E as partes internas pulsando razão.
Aí então tendes um possível mocinho.

assim faltar-lhe-á apenas
Datas
Fatos
Atos
e odes
para que se possa vislumbrar
dentro da escala alfarrábica
algo de gênero –Romance.

Um breve passeio antes de começar:
K2 -Face Norte



Primeiro é necessário um homo
ou não
de pequeno egoísmo
e grande querer

Que tenha feito a escolha des cer justo
Tenha fé sem entender por quê
Tenha todos os dois olhos
Mesmo não os tendo;
Tenha as partes extremas surradas dos lanhos da lida
E as partes internas pulsando razão.
Aí então tendes um possível mocinho.

assim faltar-lhe-á apenas
Datas
Fatos
Atos
e odes
para que se possa vislumbrar
dentro da escala alfarrábica
algo de gênero –Romance.

Um breve passeio antes de começar:
K2 -Face Norte

20-+11-2011

Iconoclasticamente

assim posso bem iniciar a frase pelo verbo ou pelo rabo
terminar sem nenhum sujeito que se apresente
anunciando que para ser
é necessário não caber em qualquer sintaxe.


20-10-2011

Morte no Trânsito

Morreu Marrom amarelim
No mês de cachorro louco.

12-11-2011

Destino

No destino da estrada,
havia um peregrino.

23-09-2011

Fachadas Vermelhas

Antigas fachadas vermelhas
de bares levados pelo tempo
onde prelúdio de camas,
olhares trocados faziam-se nus,
um dia buscaremos nas raízes ausentes
de nossos campos, poesias guaxas.
Em corações prenhes
descobriremos saudades
das fatias do que fomos
em gemidos carmins
soterrados no murmúrio
de um rio assoriado
por sorrisos e amares dúbios.
Saberemos de fardos a serem costurados
e não conseguiremos
calçar as sandálias do pescador.
Mas terei amado e tu serás rei
em reinos consolidados,
nas brincadeiras de flexas.


Tânia Gauto
30/04/04

Vou

Vou

Alçar
nas escarpas
de onde vieste
faceiro
sorrindo
maneiro
saltando
saudades
maldades
um vôo
enfim.
Afim
de colher
no manto
de luz
estrelas
azuiz
murmúrios
de Deus.

Tânia Gauto
11/02/04
Campo Grande M.S